Meu narcisismo secundário está inflamado!
Disco riscado: meu amor é meu
amor é meu...
e um jeito de ser me abraçou,
pesando os olhos -
mas não posso mais a cumplicidade dessa gente estúpida,
tenho comigo que de agora em diante serei sozinho.
Com sorte ainda amarei a lua,
buscarei seu silêncio na madrugada,
seu cheiro de coisa sonhada.
Ansiarei o ciclo da Terra como a vida que se despe,
tudo para chegar na tua luz e me desmanchar.
Quando então cansado de não tocá-la,
encolhendo os joelhos até o peito,
pensarei que acaricia-me um abrigo
e que todo o mundo, agora redimido,
já dormira tranqüilo, pois seu manto
nos cobriu da realização ideal.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
Sarau
Escrever poemas para quê? Expor alguns num blog, o que leva uma pessoa a isso? Blog, nunca achei que escreveria um! Minha priminha achou um absurdo, mas tá aí, um blog. Tudo começou com uma borboletinha me chamando, de perto vi das cores mais bonitas, fui seguindo ela e parei aqui. Depois ela foi voando, deixar o mundo mais feliz. Saudades...
Não bem poemas, talvez uma tentativa meio clichê de escrever poeticamente – patético, dito com outros ouvidos. E muitas vezes é certo, me sinto envergonhado de mim, ridículo. Quem, para dizer o que sinto? Quem, para insistir que devo dizer? Não sei, mas fiz um blog – como um dia brota uma flor ou uma ferida aberta. Cheio das boas intenções.
Agora, tem também a sensação de querer tornar útil, de existir com o olhar do outro. Não é esse um de nossos grandes motivos? Que pesadelo... É claro que todos temos nossos mundos fugidios, nossas tramas e trancas, danças e mantas. Mas, quem bisbilhoteia peças íntimas no varal vizinho? Com que força vira fofoca? Como corredor?
Podíamos fazer um Sarau! O que acham? Vamos todos ser felizes?!
Não bem poemas, talvez uma tentativa meio clichê de escrever poeticamente – patético, dito com outros ouvidos. E muitas vezes é certo, me sinto envergonhado de mim, ridículo. Quem, para dizer o que sinto? Quem, para insistir que devo dizer? Não sei, mas fiz um blog – como um dia brota uma flor ou uma ferida aberta. Cheio das boas intenções.
Agora, tem também a sensação de querer tornar útil, de existir com o olhar do outro. Não é esse um de nossos grandes motivos? Que pesadelo... É claro que todos temos nossos mundos fugidios, nossas tramas e trancas, danças e mantas. Mas, quem bisbilhoteia peças íntimas no varal vizinho? Com que força vira fofoca? Como corredor?
Podíamos fazer um Sarau! O que acham? Vamos todos ser felizes?!
segunda-feira, 30 de março de 2009
nada justifica tantas chances desperdiçadas!
Somos o show de um palhaço,
público batendo palma, bebê chorando assustado.
A mãe acolhe – ‘você já não tem idade!’.
Em tudo se vê sexo nessa roda improvisada,
e dá-lhe risada. Incesto no picadeiro,
lona armada. Foice bailando solta,
gozo com hora marcada. Tateando a carteira,
passa boi, passa boiada – e os pais rindo com a criançada.
O bom-senso, envergonhado, se fecha alma-penada. E some...
Atração.
Sua sorte eram as roupas coloridas,
o foco da luz e a pele maquiada. De fato,
pouco importavam suas cambalhotas, ou, depois,
seu texto cru dito sem metáforas.
Só quando gritou sua dor mais inflamada, o público parou,
fez silêncio. Olhou-se. Então explodiu numa gargalhada
daquelas de sustentar a própria graça. Uma piada.
O palhaço retirou-se sem ser notado.
Sozinho,
realizou-se com a cara no espelho, batendo, até vazar os olhos.
Depois passou a lamber os cacos até sua língua ficar desconfigurada.
Só parou quando o domador de leão, seu grande amigo, lhe desmaiou com pauladas.
O público, que não vê atrás dos bastidores, foi embora feliz,
satisfeito com o espetáculo.
Diria, um pouco apressado, não queriam perder o finalzinho do Fantástico.
público batendo palma, bebê chorando assustado.
A mãe acolhe – ‘você já não tem idade!’.
Em tudo se vê sexo nessa roda improvisada,
e dá-lhe risada. Incesto no picadeiro,
lona armada. Foice bailando solta,
gozo com hora marcada. Tateando a carteira,
passa boi, passa boiada – e os pais rindo com a criançada.
O bom-senso, envergonhado, se fecha alma-penada. E some...
Atração.
Sua sorte eram as roupas coloridas,
o foco da luz e a pele maquiada. De fato,
pouco importavam suas cambalhotas, ou, depois,
seu texto cru dito sem metáforas.
Só quando gritou sua dor mais inflamada, o público parou,
fez silêncio. Olhou-se. Então explodiu numa gargalhada
daquelas de sustentar a própria graça. Uma piada.
O palhaço retirou-se sem ser notado.
Sozinho,
realizou-se com a cara no espelho, batendo, até vazar os olhos.
Depois passou a lamber os cacos até sua língua ficar desconfigurada.
Só parou quando o domador de leão, seu grande amigo, lhe desmaiou com pauladas.
O público, que não vê atrás dos bastidores, foi embora feliz,
satisfeito com o espetáculo.
Diria, um pouco apressado, não queriam perder o finalzinho do Fantástico.
quarta-feira, 25 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
digna de nota: preludiando.
Te ver se lambuzando nessa menstruação
me faz são.
A maneira como expele e sorri
prepara o berço pr`uma gozada geração.
então,
quando nos penetramos olhos nos olhos,
seu buraco faz o meu mais feliz.
me faz são.
A maneira como expele e sorri
prepara o berço pr`uma gozada geração.
então,
quando nos penetramos olhos nos olhos,
seu buraco faz o meu mais feliz.
domingo, 15 de março de 2009
Nulidade
O que se diz de felicidade?
e eu só posso seus olhos fechados...
Meus desejos caminham milhas e
chegam sempre em lugares afastados.
Qual bússola permitirá o encontro,
será o instante em que a loucura
à rosa dos ventos invade?
Felicidade,
essa inocência humana...
A minha condenou-se à metafísica.
Intocável, fez do antigo jardim um pântano nublado
por onde vagam sonhos deteriorados.
E mesmo quando sol do corpo dela me abraça,
a mato com minha impossibilidade.
Não é carma, nem destino.
É compromisso fincado,
espada presa entre pedras de toneladas.
E, enquanto não reconhecer-me nobre, não poderei nada.
Apenas olhá-la seduzir-me com seus rodopios de ninfa-fada.
A morte seria tocá-la.
Isso me reassumiria a honra, a vida.
Como beijo de amor salvando do ser sapo.
Teria, então, que assumir nova existência,
romper com o passado.
Destapar os ouvidos,
desatar-me do mastro.
Mas isso não posso,
seria muito arriscado.
Prefiro continuar covarde.
e eu só posso seus olhos fechados...
Meus desejos caminham milhas e
chegam sempre em lugares afastados.
Qual bússola permitirá o encontro,
será o instante em que a loucura
à rosa dos ventos invade?
Felicidade,
essa inocência humana...
A minha condenou-se à metafísica.
Intocável, fez do antigo jardim um pântano nublado
por onde vagam sonhos deteriorados.
E mesmo quando sol do corpo dela me abraça,
a mato com minha impossibilidade.
Não é carma, nem destino.
É compromisso fincado,
espada presa entre pedras de toneladas.
E, enquanto não reconhecer-me nobre, não poderei nada.
Apenas olhá-la seduzir-me com seus rodopios de ninfa-fada.
A morte seria tocá-la.
Isso me reassumiria a honra, a vida.
Como beijo de amor salvando do ser sapo.
Teria, então, que assumir nova existência,
romper com o passado.
Destapar os ouvidos,
desatar-me do mastro.
Mas isso não posso,
seria muito arriscado.
Prefiro continuar covarde.
segunda-feira, 9 de março de 2009
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